Conte-me sobre suas dores e eu te darei um problema de design — cap. 2 — UX research

Maria Clara Monteiro
4 min readMay 24, 2021

Depois de descobrir o problema sobre a popularização da comunicação publicitária, agora estava na hora de encontrar pessoas que pudessem me dar pistas sobre como melhor resolver isso.

Como pesquisadora de longa data, confesso que fiquei ansiosa por essa etapa. Finalmente, colocaria em prática o que já sabia sobre metodologias de pesquisa. Logo, iniciei pelo desk research, ou seja, a pesquisa sobre o que já se tem escrito relacionado ao problema. O primeiro aspecto que me chamou a atenção foi a falta de investigações que abordassem a relação de profissionais da saúde com a comunicação publicitária. No entanto, quando procurei sobre conteúdos que englobassem identidade visual, branding e marketing pessoal, me deparei com diversos formatos de blogs e vídeos. Então, veio um insight: como tudo isso está chegando aos profissionais da saúde? Essa dúvida só poderia ser respondida falando com as pessoas. Foi então quando comecei a recrutar voluntários.

O primeiro passo foi formular um questionário, etapa quantitativa, com perguntas fechadas e algumas abertas. A divulgação foi em grupos de Facebook, LinkedIn e contatos pessoais. Trago duas questões que mostram como a comunicação está dentro do trabalho do profissional da saúde.

Gráfico com as respostas retiradas do questionário com usuários

A primeira questão aborda sobre os termos pesquisados com destaque para “marketing pessoal”. Isso se deu já que muitos profissionais da saúde são empreendedores. A segunda questão importante foi saber que é no Google onde eles mais buscam por conteúdos relacionados ao marketing. Foi por causa dessa informação que adicionei o Google à análise de benchmark que falarei mais ao final do texto.

Antes de continuar, preciso fazer uma observação: eu sabia que, em tempos de pandemia, nos quais todo mundo está exausto de telas, seria difícil conseguir profissionais, ainda mais da saúde, para responder. No entanto, me surpreendi com o resultado, principalmente nas respostas das perguntas abertas, pois elas reforçavam o problema citado. Veja, leitor, algumas das insatisfações dos profissionais da saúde em relação ao conteúdo de marketing pessoal na internet:

As informações por vezes eram superficiais e por vezes não abrangiam o que procurava.

As informações eram superficiais e não levaram de fato ao que era necessário.

Na maioria dos casos, achei as informações mal organizadas, confusas e pouco convincentes, considerando que não sou da área da comunicação/marketing.

Tinha muito material, mas de muitas maneiras diferentes de trabalhar. Muitas informações diferentes do mesmo assunto.

Esses insights foram cruciais para criar o que se chama de “dores do usuário” no mundo do UX. Empolgada com esse questionário, convidei as mesmas pessoas para entrevistas. Foram feitas perguntas iniciais sobre perfil de entrevistado (profissão, há quanto tempo trabalha na área, quais canais de comunicação utiliza profissionalmente e como os clientes o encontram). Além disso, foram abordados aspectos como: identidade de marca própria (se criou, se acha importante ter e se contratou um profissional de comunicação) e pesquisa de identidade de marca (onde foi feita a pesquisa, o que considera das informações encontradas, o que gostaria de encontrar).

Eu queria encontrar informações que ajudassem a gente fazer tudo gratuito. Depois de uma semana pesquisando em sites que apareceram no Google e não ajudou muito. (Entrevistada F.)

Nas entrevistas, os participantes mostraram que existe interesse em criar identidade de marca como forma de divulgação do negócio. Porém, os profissionais da saúde apontaram que as informações disponíveis no mercado não os auxiliaram para fazer suas identidades de marca, pois os conteúdos estavam difusos. É preciso pensar num produto digital que indique requisitos para uma comunicação publicitária dos profissionais.

Tudo isso só foi possível de obter graças à etapa de UX research, fase preciosa de escuta e de análise de dados a fim de conhecer e entender o usuário. Com base no perfil dos participantes, consegui criar uma persona para simbolizar o público que precisava ser ajudado.

Persona para o produto

Além disso, a pesquisa possibilitou fazer o mapa de empatia e o benchmark. O primeiro serviu para sistematizar as informações coletadas com os participantes das duas etapas da pesquisa. Já o benchmark foi crucial para analisar o que já se tem no mercado como possíveis soluções aos problemas relatados. Foi nessa etapa que vi como empresas de comunicação publicitária, mais especificamente de marketing pessoal, estão disponibilizando conteúdos nessa linha. O Google entrou como um concorrente indireto por ser o primeiro local onde os participantes buscam esse tipo de informação.

Para produzir esses materiais, Figma e Miro foram as ferramentas utilizadas. Já as considero as melhores amigas do UX designer.

Nos próximos capítulos, contarei sobre a etapa de ideação da solução de design para os usuários.

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